Prólogo

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Silencio-me, exausto. Queria alinhar agora, numa coerência de escrita, o tropel das palavras que agitavam a minha mente enquanto a língua virgulava sobre a tua pele, ainda mal desperta. Queria gravar em perene memória o que te sussurrei de cada vez que os teus mamilos se soltavam do meu ferrar longo e lento, ou entre a pontuação das palmadas nas tuas nádegas. Esvaiu-se tudo… e no entanto, estava tão eloquente ao enterrar o meu sexo no teu, nesse amanhecer tão nosso. Confissões e fantasias desatadas ao ritmo ora frenético, ora lânguido, da minha permanência em ti. Perdendo a noção de tudo, só o teu rosto, a tua pele, as tuas pernas, os teus dedos na minha boca, o aroma primitivo e animal dos nossos sexos, cona e caralho em bailado… sons, cheiros, saliva, suor, arfares, vibrações e gritos, essências vindas de nós…

…e depois, como se o sorriso do amor satisfeito fosse o poço fundo que apaga os sonhos antes do despertar, do que te sussurrei em paixão nada me regressa, que duas palavras sequer possa compor. Silencio-me, exausto. Por enquanto.

À noite escreverei. Tudo o que te disse, tudo o que te ouvi, tudo o que vivemos e viveremos. Tudo o que fará ruborescer o comum dos mortais.

Pois este prólogo será o mais inocente dos textos que as nossas mentes pérfidas comporão, meu amor.

Monsieur

 

 

 

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